Li este livro a propósito de um desafio de leitura muito interessante, #eternasescritoras , que em Janeiro nos propõe como foco escritoras norte-americanas.

De uma lista proposta (não exclusiva) escolhi a autora Pearl S Buck. A escolha do livro não recaiu no Terra Abençoada – que ganhou o prémio Pulitzer em 1933 – mas em “Peónia”, um romance escrito em 1948.


O romance desenrola-se na cidade de Kaifeng, onde, no século XIX, existiu uma comunidade de judeus bem aceite pelos chineses e pacificamente entrosada na sociedade de então.

Na altura em que a história começa, nos meados do século XIX, a comunidade judaica estava já parcialmente miscigenada com a chinesa e os seus costumes já misturados com os do povo chinês.

A história centra-se em Peónia, uma serva comprada pela família Ezra para o seu filho David, o amor dela por ele.

Na primeira parte do livro, muito pelos olhos de Peónia, assistimos a uma espécie de luta por David, pelo seu coração e espirito. David viverá com conflitos internos, amorosos e espirituais, durante anos.

Quando finalmente ele está próximo de se libertar desses conflitos e finalmente encontrar alguma serenidade, irá ser a vez de Peónia, que durante toda a vida (sózinha) lutou por saber e conseguir encontrar um lugar na família, de tomar uma decisão e agir.

A narrativa irá terminar bem para além de David ou Peónia, duas gerações depois, dando-nos conta, já à laia de conclusão, do destino do templo judeu em Kaifeng

A história conta com outros personagens marcantes, como os pais de David, Ezra (judeu e chinês) e Naomi (judia), o velho rabino e a sua bela filha Leah, que Naomi quer para mulher do seu filho David. O rico comerciante Kao Cheng e a sua (terceira) filha, Kueilin…

Em Peónia, Pearl Buck descreve rituais de ambas as culturas, tradições, os costumes e até as roupas e cores, e a sua escrita tem uma delicadeza e uma maturidade impressionantes. Com alguns trechos mais envolventes, este não é, a meu ver, um livro ou história emocionais. O livro tem um forte interesse histórico e cultural, mas pouca paixão.

Gostei

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A minha memória de Pearl S. Buck remonta à infância, por ver um livro dela na estante do meu pai, arrumado junto de outros Prémios Nobel da literatura: Hemingway, Steinbeck, Faulkner, O’Neill, Beckett, Russel – e isto só os autores de língua inglesa. Não admira, pois, que na minha infantil imaginação, Pearl S Buck fosse um homem. E durante anos, por não ter ido mexer nesses livros  para espreitar a contracapa (e não ter tido a curiosidade de perguntar…) continuei a achar que Pearl era um homem.

Pearl Comfort Sydenstricker nasceu a 26 de Junho de 1892 em Hillsboro, West Virginia, filha de presbiterianos missionários na China desde 1880.

Os pais de Pearl preferiam viver com os chineses, fora da residência da missão, e portanto Pearl foi criada e cresceu no seio da sociedade chinesa, aprendendo a falar chinês (cantonês? mandarim?), brincando com crianças chinesas e visitando as suas casas. Assim ela ouvia as suas ideias e assimilava a sua cultura.

Pearl teve um tutor chinês, confuncionista, que lhe ensinou o confuncionismo, história chinesa, e a ler e escrever chinês. Em contrapartida, os pais de Pearl, nomeadamente a mãe, partilhava com a filha os aspectos da cultura norte-americana, observava os feriados da sua religião, e a comida era tão americana quanto possivel.

Esta divisão ou riqueza cultural vivida por Pearl, é em parte, aquilo que vemos em David de “Peónia”.

Pearl é enviada para os Estados Unidos para completar a sua educação superior, mas regressará à China por causa da sua mãe. Em 1917 casa com John Buck, um agrónomo e missionário americano e ficará na China por mais alguns anos.

Em 1925 a família regressa definitivamente aos EU, devido ao clima de guerra e crescente instabilidade que se vivia na China.

Por esta altura Pearl escreve o seu primeiro livro, East Wind West Wind, publicado em 1930. O seu segundo livro, Terra Abençoada, publicado no ano a seguir, ganhou o Pulitzer em 1932.

Pearl S Buck divorciou-se do primeiro marido, John Buck, e casou-se com o editor Richard Walsh, com que permaneceu até à morte de Richard em 1960. Pearl teve apenas uma filha biológica (do primeiro marido), mas ela e Richard adoptaram 7 crianças e acolheram temporariamente muitas mais.

Em 1938, Pearl Buck recebeu o Prémio Nobel da Literatura pelo seu retrato épico da vida camponesa chinesa. Foi a primeira mulher americana a receber os prémios Pulitzer e Nobel de Literatura.

Bio da autora é uma tradução e resumo livres baseados nas informações disponíveis no site da fundação Pearl S. Buck.

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